O ÍNICIO DE SUA CARREIRA
Primeiramente vamos falar como surgiu o apelido: Pensador.
Gabriel fala o que pensa. E como ele fala! As palavras saem aos borbotões, justificando o apelido de Pensador: "Esse nome surgiu logo nas minhas primeiras letras. Não me lembro racionalmente como foi, mas veio bem porque combina. Ultimamente não tenho gostado dessa característica de pensar demais porque ta me dando insônia. Eu fico até puto! Ás vezes eu deixo de me divertir pra ficar pensando, analisando, tirando conclusões.".
Bom, vamos agora falar de seu primeiro show!!!
Antes de ser famoso.
Por uma curiosa coincidência foi também num palco armado na areia que Gabriel apresentou ao mundo seu ponto de vista. Isso foi há 10 anos atras, em 1991, num luau na praia de Ipanema, tendo como platéia tipos que seriam seus alvos no futuro: "Tinha só lôraburras e playboys típicos. Já havia alguns meses que esta doido pra entra em palco, aí fui lá pra trás e fiquei insistindo com o cara da organização. Fiquei um tempão ali esperando e fui cantar a letra do playboy só de raiva, sem acompanhamenteo nenhum". Arrogância adolescente ou premonição, foi assim que ele iniciou sua improvisada apresentação para um público atônito. Agarrou o microfone e mandou: "Essa letra tem muito a ver com essa rapaziada. Sou Gabriel, o Pensador e vocês ainda vão ouvir falar muito nesse nome". Mal sabiam eles o quanto era verdade.
O PRIMEIRO SHOW DO RAPPER FOI HÁ DEZ ANOS, PARA UMA TURMA DE PLAYBOYS E LÔRABURRAS "SOU GABRIEL O PENSADOR E VOCÊS AINDA VÃO OUVIR FALAR MUITO DESSE NOME".
Relato
EU NO BRONX AOS 17 ANOS
Por Gabriel O Pensador
"Quando eu tinha 17 anos, meu irmão morava em Nova York e nós fomos ao Harlem pra ele raspar o cabelo. Naqueles barbeirinhos de preto, todo mundo com aqueles rádios no ombro, BUM BA BUM, PUBUM BA BUM! Só a gente de branco. Voltando, na rua, tinha uma roda de negros e um cara distribuindo papelzinho. Fui lá, o cara não queria me dar, insisti e ele me deu assim de má vontade.
Era a Noite das Tantas no Bronx, endereço tal, presença de MC Isso e Mc Aquilo, vários rappers. "Caralho! Maior showzão!" Meu irmão não quis ir, eu fui pra lá, só que o bundão pegou o metrô errado. Fiquei umas duas horas esperando numa estação: "Pô, esse trem deve demorar mesmo"... Depois de muito tempo vieram uns caras varrendo e perguntei pra eles: "Estação Tal, do Bronx?" "Não, essa hora não passa mais, tem que pegar outros três trens." Saí correndo, preocupado com a hora, era um show de vários rappers, não queria perder. Peguei três trens e desci numa estação desertaça no Bronx. Tudo fechado, vazio. Um lugar bem fodido. A parada era do lado da estação: Rainbow Lounge.
Cheguei lá com a maior cara de bobão, e perguntei pro segurança: "É aqui mesmo?" Era ele e outro negão grandão: "Levanta os braços aí". Começaram a me revistar e a me sacanear. Eles rindo e eu sem graça. Aí entrei, cara: era um lugar pequeninho, pouco maior que essa sala, e era só galera local. Pensei que eu ia prum show mas nem tinha palco. Não ia ter os caras ao vivo, os DJs iam tocar músicas desses caras. E eu ainda tinha levado uma fita cassete pra gravar o show.
Era uma boate local daquele pedaço do Bronx. Só negro e não tinha ninguém de outro bairro. Peguei uma Coca-Cola no bar e fiquei de canudinho, observando, de bonezinho e tal. Fui prum canto perto do DJ, que estava tocando ragga, um reggae meio hip hop.
Os Djs todos ali fumando maconha. Aí chegaram umas doidonas bem vagabundas dançando no chão, aquelas negonas com a bunda pro alto, uma dança super sexy, uma putaria delas se esfregando. Eram bem gostosas mas eu não sabia se podia olhar, de repente era mulher de alguém.
Já era bem tarde e nada de show, fiquei fustrado, mas já estava ali, tentei curtir e tal. Finalmente cheguei pro DJ e perguntei: "Não vai tocar rap não?" "Só no final". Mandei: "É que eu sou do Brasil, dá pra gravar pra mim" e deixei a fita em cima. Aí chegou o bundão engraçadão, cumprimentou todo mundo, pegou minha fita assim e botou no bolso. Como fiquei olhando pra ele, me pergunto: "É sua?" "Yeah". "Ok." E continuou com a fita.
Mas quando tocaram o rap, voltei lá e eles estavam gravando, guardo isso até hoje. Acabou a festa, acendeu a luz, tinha um microfone e uma bateria eletrônica, foi lá uma garota cantar toda desafinada - Yeeeeaaahhh baby! - e uma outra tentando fazer onda na bateria do cara, aí o DJ voltou puto, dando esporro: "Fuckin' bitches! Get outta here! Suck my dick"! Tá tudo aqui gravado na fita!
Foi saindo todo mundo, saí também... a estação fechada, sem ninguém, cara, de madrugada. Com é que eu ia comprar ingresso? Não sabia que era pra pular. Passou uma pessoal pulando, pulei atrás, mas era o lado errado, se continuasse ia parar mais ainda pra dentro do Bronx. Só tinha sobrado mais um outro cara doidão, lá do outro lado. Gritei: "Yo! Como é que faz pra ir pra Manhattan?" Ele fez gesto assim que eu era pra eu caminhar pelos trilhos...
Depois de muito tempo saí andando assim, subi, acabei pegando o primeiro trem que passou. Minha sorte era que estava indo mesmo para Manhattan. E o lance áquela hora era pular mesmo, daí a pouco passou um condutor recolhendo dinheiro da passagem."